Psicose altera o contrato de atenção que havia estabelecido. Seguimos uma pessoa, reconhecemos suas urgências e imaginamos a história em que entramos. O filme transforma essa confiança numa matéria que pode ser interrompida.

Ver nunca é inteiramente inocente. Janelas e frestas tornam a observação uma questão dramática. A curiosidade do espectador encontra uma posição que o filme não permite conservar confortavelmente.

A montagem da violência dispensa a exposição contínua de tudo. Fragmentos, som e ritmo produzem uma unidade física na percepção. O acontecimento parece inteiro porque o corte trabalha sobre a imaginação de quem assiste. Depois, gestos banais recebem uma pressão nova.

Saber algo a mais não devolve o controle emocional. O filme investiga a confiança em quem seguimos e no que imaginamos ter visto. Quando a continuidade falha, percebemos quanto do chão narrativo era construído pelo nosso próprio olhar.