Parasita pensa a classe social como distribuição de espaço. A imagem estabelece quem sobe, quem desce, quem recebe luz e quem olha o mundo de baixo. A arquitetura não ilustra um tema pronto. Ela produz a ação.
A casa ampla oferece uma impressão de controle que depende do que permanece fora de vista. Trabalho doméstico e áreas escondidas permitem que o conforto pareça natural. O filme revela o esforço necessário para conservar essa aparência.
A farsa pode inverter temporariamente quem sabe mais numa conversa. Não torna equivalentes as condições de vida. É nesse atrito que o humor se torna menos seguro. A chuva torna a diferença espacial física: o mesmo acontecimento pode ser prazer, inconveniente ou catástrofe, dependendo de onde se mora.
A questão não é descobrir quais pessoas são boas ou más. É perceber como até proximidades sinceras são organizadas por barreiras que dispensam explicação. A escada permite circular. Isso não significa que todos possam escolher o andar em que vivem.

