Close-Up observa a impostura sem reduzi-la ao prazer de desmascarar. Assumir o nome de um cineasta tem consequências. Também pergunta o que alguém imagina poder receber quando passa a ser ouvido com respeito.

Registro e reencenação impedem separar uma verdade pura de uma representação falsa. Voltar a realizar uma situação pode revelar como as pessoas desejam compreender o que viveram. A encenação não retira automaticamente o valor do encontro.

Escutar o acusado não elimina o dano causado aos outros. Conhecer uma motivação não equivale a aceitar todas as ações produzidas por ela. O cinema é instituição de prestígio e possibilidade de atenção: oferece um nome que abre portas, depois oferece tempo para alguém normalmente ignorado falar.

Não basta descobrir uma identidade atrás do papel. É preciso perguntar por que determinados papéis oferecem condições de ser visto como pessoa. A mentira tem limites e vítimas. O desejo de reconhecimento não desaparece quando o nome verdadeiro retorna.