Amores Expressos aproxima a linguagem do consumo da linguagem do afeto. Datas e embalagens ajudam os personagens a organizar sentimentos que não obedecem a calendário. O absurdo é reconhecível: se as coisas vencem, talvez uma tristeza também possa ter prazo.

Essa tentativa acontece numa cidade feita de circulação. Lanchonetes e apartamentos são atravessados por pessoas que não compartilham o mesmo tempo. A proximidade aumenta a quantidade de encontros possíveis sem garantir que dois desejos coincidam.

Objetos domésticos tornam-se interlocutores. Conversar com uma coisa é engraçado; também revela a necessidade de ensaiar a própria dor antes de dirigi-la a alguém. A repetição musical cria outro calendário. Uma canção volta até deixar de acompanhar a cena e passar a habitar o espaço.

As duas histórias não oferecem uma conclusão única sobre o amor. Compartilham uma curiosidade sobre a disponibilidade para o acaso. Objetos podem manter alguém preso ao passado. Podem também indicar que uma presença nova já alterou a casa, antes que seu morador consiga perceber.